domingo, 10 de maio de 2009

ELUSKA

à Elizabeth Nobre de Souza
minha amada mãe
in memoriam

A mãe no CTI ela nos bares ligando orelhões correndo visitas gritando pra mãe na máquina pra voltar a mãe cada dia mais gelada ela nos bares velando quando acabou fez tudo muito discreto sem cerimônia cortejo logo voltou pro bar atrás das lágrimas viu os amigos chegarem depois partirem só ficou aquele a levou pra cama tocou-a manso num suave despertar deu vinho o que mais amava logo o desejo em dor não a fez vir à tona foi lá no profundo da cacimba escura no quintal a mãe chamando ela livre solta com Petronila a louca no meio do capinzal o desejo se embrenhando na mata densa o sapo seria de celulóide verde água na esteira com outros companheiros o desejo voa quintal medo dos cocos na cabeça banho frio chupando água dos cabelos escondido gostoso sentada no vaso encantada nas árvores refletidas nas poças d'água do banheiro e longe muito mais longe que Deus que o inferno da infância o imenso nó na garganta engulho os seios da mãe a pele tenra seu cheiro doce o desejo soluços grunhidos perda e salvação.

3 comentários:

Anônimo disse...

LÚCIA NOBRE

POESIA A VIDA INTEIRA

SEMPRE

Anônimo disse...

Lucinha,

Lindo o seu texto sobre sua mãe, sentido e delicado...

Pena que não a conheci. Mas estou com o melhor que ela fez... vc.

bjs

(para ninguém duvidar de quem está escrevendo, assino aqui: Eduardo Moniz vianna)

Luar Lian disse...

Mães, seus cheiros que nunca morrem...
bj
Márcia