terça-feira, 18 de novembro de 2008

O BANQUETE

Minha mesa composta
com as mais finas iguarias
está completa
A luz que emana dos cabelos
de minha mãe ao piano
num noturno de Chopin
O filho lendo um texto poético
que compôs para mim
As flores dos olhos amigos
de minha filha num buquê
A caçula menina de voz
negra toda em blues
Minha irmãzinha budista
em lótus meditando
A energia caótica de meus netos
que a tudo ilumina de infância
Nosso gato à janela pêlos tigrados
ardentes do sol da manhã
O amor brindando-me
flutuantes espumas de champanhe

E eu louca de medo
fujo da mesa
antes do banquete acabar

Um comentário:

Luar Lian disse...

Belíssimo.
Esse vc tem que falar no Todas da Bienal.
bjs